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14/03/2017

Resenha de Moonlight, o filme vencedor do Oscar

“Eu não sabia que o filme era sobre isso!”, disse uma senhora sentada atrás de mim no cinema. Moonlight – sob a luz do luar, o qual estreou no dia 24 de fevereiro aqui no Brasil, me surpreendeu muito mais do que eu imaginei e pelo visto surpreendeu muita gente. Fui assistir ao filme sabendo que o mesmo foi vencedor do Oscar e que era um filme tocante. Só. Saí da sala do cinema com lições de vida, vontade de abraçar os personagens e bater um papo com o diretor de fotografia. Leia agora a minha resenha de Moonlight, o filme que já foi pra minha listinha de “rever”.

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Resenha de Moonlight – Sob a Luz do Luar

Ei, não há spoilers aqui!

Moonlight, filme escrito e dirigido por Berry Jenkis de apenas trinta e sete anos, foi baseado em uma peça de teatro que não chegou a ser lançada e retrata a vida de Chiron, também conhecido com Litte ou Black. Chiron é um menino negro, nascido na periferia de Miami e sem nenhuma estrutura familiar. Moonlight é dividido em três partes, literalmente capítulos, os quais vão avançando juntamente com a vida de Chiron. Apesar de ter cenas pesadas (no sentido de fortes, tristes e tocantes), a fotografia do filme é muito colorida, cheia de vida. A luz que se passa pela imagem reflete a clareza com qual devemos enxergar os significados do filme.

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Liz Chollet

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07/10/2016

Gilmore Girls: independência e feminismo

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Criada por Amy Sherman Palladino e estrelada pelas lindas e carismáticas Lauren Graham e Alexis Bledel, Gilmore Girls durou 7 temporadas, totalizando 153 episódios. As temporadas foram lançadas de 2000 a 2007, então foi como, por exemplo, Harry potter: marcou a vida de inúmeras pessoas. O seriado é baseado no relacionamento mãe e filha entre Lorelai (Lauren Graham) e Rory Gilmore (Alexis Bledel), que são muito mais do que simples mãe e filha, são melhores amigas. É extremamente lindo ver como elas são unidas e amigas. Mexeu com uma, mexeu com a outra! Nenhuma decisão da casa é feita sem a outra e nada é segredo entre elas.

Gilmore Girls é uma história de união, companheirismo, amizade, amor e crescimento pessoal. É uma história repleta de aventuras, superações e risadas. É aquele tipo de seriado que te prende no primeiro episódio, que te faz sentir dentro da história e principalmente, te faz sentir amiga das personagens.. Porém, não é só isso. Gilmore girls é um seriado muito afrente de seu próprio tempo e é isso que me faz amar tanto. Quer saber o porquê?

O feminismo é assumido pelas garotas Gilmore

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Gilmore girls é um seriado super feminista, é lindo de ver!  Logo no primeiro episódio, Rory, ao explicar o porquê do seu nome ser o mesmo da mãe, cita o movimento. “Ela disse que o feminismo tomou conta dela”. Só essa frase já me fez perceber que essas duas são incríveis! Durante todas os episódios, são citadas frases sobre desigualdade de gênero, independência e direitos das mulheres. Por último, mas não de menor importância: Lorelai ensinou Rory, desde pequena, que ela pode ser o que ela quiser, como ela quiser e se ela quiser. Exatamente o que todas nós devíamos crescer ouvindo.

Independência e orgulho de ser mãe solteira

Lorelai engravidou aos dezesseis anos e criou Rory totalmente sozinha. Com muita força de vontade e amor, elas passam muitas coisas até conseguirem ter uma vida estável. Em vários episódios, os pais de Lorelai a criticam sobre quando ela decidiu ser mãe solteira e sobre ela não ter seguido a linha família tradicional que eles propuseram, a qual era casar com o pai da Rory. Lorelai se reergueu na vida de um modo incrível e é gerente de um ótimo hotel, Rory é uma menina incrível, extremamente estudiosa e bondosa, tudo isso prova que não somos obrigadas a casar, a seguir a linha “família tradicional”. Somos ótimas e capazes de tudo.
 

Liberdade de expressão das mulheres

As garotas Gilmore e as outras personagens não tem medo de mostrar sua opinião, de se expressar, são donas de si mesmas e de personalidades extremamente fortes.

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Somos todas lindas, de todas as maneiras

Em vários episódios, Rory e Lorelai comentam sobre seus corpos e sobre não se importarem com padrões de beleza. Elas sempre pedem pizza, compram doces pra comer vendo filmes, reforçando super a ideia de que não precisamos deixar de comer o que gostamos. Em um episódio, uma delas fala: “e se comer torta é errado, eu não quero estar certa”. Além disso, a melhor amiga de Lorelai, a Sookie, é gorda. Em nenhum episódio o peso dela foi apresentado como um problema e o fato nem é citado, porque isso não tem problema nenhum e não interfere em nada, não é mesmo? 
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Mulheres podem tomar a iniciativa

Lorelai mostra, durante todas as temporadas, que não precisamos esperar o cara ligar. Você também pode e não tem absolutamente nada de errado nisso. Ela também nos mostra que não precisamos deixar de dizer algo por medo e o de maior importância: Lorelai nos mostra que não precisamos continuar com alguém por medo de terminar.

Referências culturais incríveis

Rory é super inteligente e apaixonada por leitura, isso não é segredo pra ninguém! Durantes todas as temporadas e em quase todos os episódios, é feita alguma referência cultural. Desde Nietzsche, Marx e pensadores do tipo até bandas, filmes e seriados. Esse site (maravilhoso) compilou todas essas referências, incluindo os 339 livros que Rory lê, fala sobre ou aparecem no seriado.

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O seriado é incrível, repleto de informações e mensagens lindas. Rory e Lorelai foram o impulso que faltava pra muitas mulheres entenderem o feminismo e não terem mais medo ou receio do movimento. 
No dia primeiro de julho desse ano a Netflix disponibilizou todas as temporadas e ainda anunciou que no dia 25 de novembro terá uma temporada bônus! O retorno da série contará com quatro episódios inéditos, de 90 minutos cada. Intitulada de “Um ano para recordar”, a nova temporada já ganhou um teaser!
Quem vai pirar comigo?! Já estou revendo todo o seriado e ansiosa para o dia 25! Espero que tenham curtido e post e que – quem ainda não viu, veja e vicie também!

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Liz Chollet

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02/10/2016

Coletor menstrual: razões para usar e dúvidas frequentes

O coletor menstrual existe desde 1930 porém não faz muito que fez sucesso no Brasil e vem gerando dúvidas em milhares de pessoas. Eu conheci o famoso “copinho” quando uma amiga comprou e me explicou como funcionava, desde então eu resolvi buscar mais informações sobre e entrar no grupo Coletores Brasil – menstrual cups, no qual quem usa compartilha a experiência e ajuda quem está iniciando! Foi ali que eu decidi que iria largar os absorventes comuns e partir pro coletor menstrual.

coletor menstrual

Há pouco tempo recebi o coletor da In Ciclo e então eu postei essa mesma foto lá no meu instagram , deixando como um espaço de “tira-dúvidas”. Porém, não só se tornou um espaço de muitas dúvidas como eu percebi que apesar de os coletores estarem ganhando espaço no Brasil, eles ainda causam certo medo nas pessoas, um medo que existe porque somos ensinadas a ter certa repulsa ao nosso ciclo. A menstruação ainda é um tabu muito grande e criar um método mais confortável e seguro para nós, confronta quem não aceita isso muito bem.

Como acontece com muitas mulheres, eu também cresci com a mentalidade de ter repulsa do meu ciclo, porém à medida em que fui ficando mais velha parei pra pensar que o ciclo menstrual é um funcionamento orgânico do nosso corpo, não tem nada de sujo ou errado nele. E sabe o que mais? O coletor só me fez entender isso mais ainda! Sem mais demandas, vamos falar sobre ele.

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Liz Chollet

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23/08/2016

CARTAS NA RUA – BUKOWSKI | RESENHA

“Cartas na rua”, livro lançado em 1971, foi o primeiro romance de Charles Bukowski, um poeta e romancista americano, conhecido pelo seu estilo debochado, crítico e hilário de escrever. Também conhecido por “bukowski, o velho bêbado”, seus livros são repletos de relatos com bebidas, sexo e pensamentos fora da caixinha – o que eu mais gosto nele. Sem mais demandas, vamos à resenha!

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“Tudo começou com um erro” é a primeira frase de Buk no livro, o qual conta a história de Henry Chinaski, um alterego do autor, em sua etapa de vida em que trabalhou para os correios. Como toda obra de Bukowski, o livro é altamente biográfico, mudando apenas os nomes dos personagens e nos deixando com aquele gostinho de “será que isso foi real ou inventado por ele?”
Chinaski é uma pessoa desprocupada aos 30 e poucos anos. Trabalha como carteiro por vários anos mas não gosta disso e nem vê como um objetivo de vida. Por um tempo, larga os correios e aposta em corridas de cavalo mas, quando vê que não deu certo, acaba voltando aos correios, agora em uma nova cidade, juntamente à sua nova namorada.  Em meio à idas e vindas ao correio, existem ressacas, muitas mulheres, sexo, brigas, diferentes lares e o nascimento de sua filha. Apesar de estar sempre beirando ao desespero, Chinaski conta a sua história de uma maneira totalmente despreocupada e hilária, exatamente como é Bukowski.
“As cobertas haviam caído e eu fitava suas costas brancas, as omoplatas como querendo romper a pele e se transformar em asas. Pequenos ossos. Ela estava desamparada”

Podemos notar, em todas as obras de Bukowski, uma revolução ao sistema, um sentimento de ser contra àquele sistema normal de vida, no qual todos nascem, estudam, casam, tem filhos e respeitam o governo. Ele não quer ser só mais um fantoche do governo, ele quer viver a vida do seu jeito e realmente aproveitar – isso explica os trabalhos aleatórios e as idas e vindas entre cidades. Além disso, ele faz muita crítica ao sistema de trabalho que explora os servidores.

“- Caralho, os caras não deixam um homem ser feliz, não é mesmo? Querem sempre enquadrá-lo no esquema” 
“Cartas na rua” é um livro simples de ser lido, uma boa indicação a quem queira iniciar a leitura de Bukowski. São apenas 185 páginas, dividas em capítulos com uma média de 40 páginas, me prendeu rapidamente e foi uma leitura maravilhosa. Ri, me emocionei e, adivinhem só, já iniciei outro livro dele!

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E aí, gostaram? Espero que tenham achado a resenham legal! É a primeira aqui no blog, mas prometo váarias!
Beijo <3
 

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Liz Chollet

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