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30/09/2017

Como o vegetarianismo mudou minha visão de mundo

Desde que me lembro, sou muito apegada a animais. O afeto, o carinho, o amor e a amizade que seres tão simples criam e desenvolvem contigo é incrível. Mas, pra mim, era apenas um amor e vontade de tê-los como aliados a vida inteira. Até um certo ponto da minha vida, não fazia noção de que o vegetarianismo existia. Após conhecer – e aderir – , foi como se a minha mente tivesse se aberto para inúmeras coisas, para uma vida totalmente diferente. Esse post é o meu relato sobre a transição para o vegetarianismo, veganismo e sobre o que eu passei a me questionar em relação ao mundo.

vegetarianismo

Como eu decidi mudar e abraçar o vegetarianismo

O meu primeiro contato com o vegetarianismo surgiu quando passei a ajudar um grupo de pessoas que se uniam para ajudar animais de rua. Na verdade, esse movimento grande surgiu de um professor da nossa escola, o qual sozinho ajudava mais animais do que é possível contar. Resolvemos o ajudar, e aos poucos formamos um grupo grande em prol dos animais de rua.Foi um ano muito bom pra mim, pois finalmente encontrei uma maneira de ajudar de verdade.

A partir disso, passei a acompanhar inúmeras páginas de ONGs, associações em prol dos animais e nisso, acabei caindo em páginas sobre o vegetarianismo. Foi uma surpresa, lembro de me questionar como nunca havia pensando nisso antes? A frase “se ama uns, por que come outros?” começou a me afetar muito e gerar muitos questionamentos. Passei bons meses me questionando, pesquisando e assistindo vídeos sobre, até que em fevereiro de 2015, em um churrasco de família, decidi que já estava na hora. E foi. Mudei de um dia pro outro, da maneira mais tranquila possível.

Como o vegetarianismo abriu a minha mente e me transformou

Quando me tornei vegetariana, achava que apenas não comendo a carne de animais já faria uma grande diferença. E sim, os vegetarianos fazem uma baita diferença parando de consumir carne, mas não para por aí: a indústria do leite, dos ovos, do mel e de testes em animais é tão absurda quanto a da carne. Demorei um pouco para realmente aceitar isso e perceber que eu deveria seguir em frente, me questioneimuito do porquê tudo isso é tão escondido de nós, consumidores. Imagens de vacas felizes correndo, galinhas soltas e botando ovos com amor. Nada disso é real nas grandes indústrias.

A partir disso, me tornei ainda mais sensível em relação a como vivemos nossas vidas guiadas pelo consumo. Por que não nos questionamos o que estamos comendo? Por que não vamos atrás do que realmente acontece? Mas eu percebi que a maior parte da culpa não é nossa e sim do consumo acelerado, do capitalismo e do marketing, que tem que fazer para vender. Nada contra o marketing, eu adoro – mas é chato pensar na máscara em que vivemos. Disso eu parti para todos os questionamentos possíveis acerca de padrões de consumo, e posso dizer que isso foi crucial para me transformar em quem sou hoje.

O acúmulo, o exagero, o “pra mais” começou a me incomodar. Por que compramos tanto? Será que realmente precisamos de três blusas novas apenas porque elas estão na promoção? A resposta é não. Nós, normalmente, não precisamos. Mas queremos, e esse querer é muito forte. Se você parar para analisar o seu roupeiro, vai perceber que tem muita coisa: muita coisa que ainda nem usou, muita coisa que não sabe porque comprou e muita coisa que quer se desfazer mas não consegue, pelo apego.

Eu costumava ter muito apego pelas coisas. Era do tipo de pessoa que pensava “mas eu posso precisar disso pra algo!”, sendo que no fundo eu sabia que iria acabar virando lixo. Depois de me tornar vegetariana (e logo após, vegana), o pensamento do quanto é desperdiçado para o processamento da carne passou a se transformar no pensamento do quanto é gasto para processar e criar qualquer coisa. São toneladas de água, algodão e tudo o que tu puder imaginar em exagero. E aí, pense: cada coisinha que é produzida passa por grandes processamentos e é criada por inúmeras coisinhas que também afetam o planeta. Assim, o nosso planeta se torna uma grande lixeira. É invisível, mas é isso.

Lixo Zero, vegetarianismo e consumo

Quando eu falo de desapego, não digo para você jogar fora tudo o que tiver de extra. Analise e separe o que você realmente precisa e o que não. O que for produto do exagero pode ser doado, vendido, trocado. Se estamos tentando não produzir tanto lixo, não devemos simplesmente jogar as coisas fora. Ache um caminho para elas.

A produção de lixo é outro assunto que vira e remexe muito na minha mente. Tudo, absolutamente tudo que você usar, comprar, fazer, envolve produção de lixo. Até aí, ok, todos sabemos. O problema é isso não ser algo consciente nosso. Nós sabemos, mas fica esquecido em alguma parte do cérebro. Cada blusa, calça, maquiagem e comida que você tem já produziu lixo pro planeta (na etapa de produção) e vai produzir – sendo no seu uso ou no seu descarte. Se você for pensar, sabe quantas garrafinhas de plástico comprou nas últimas semanas? Quantas sacolas usou, fez descarte? Tudo isso conta, no final.

E não para por aí: não é apenas a produção de lixo (que nem sabemos mais como excluir do planeta), tem também a produção de químicos que prejudicam o ecossistema. Um bom exemplo são os esfoliantes de pele mais comuns (mais vendidos). A grande maioria tem ingredientes com origem do plástico, e quando você lava o rosto para tirar o esfoliante, essas micropartículas do plástico vão de volta para o ecossistema.

Tecidos sintéticos são a mesma coisa: como são derivados do petróleo e assim mais baratos, são os preferidos da indústria. Porém, o petróleo é extremamente poluente – além de fazer um mal danado a nossa saúde. Um exemplo:

“O processo de fabricação de fibras e tecidos sintéticos solta resíduos tóxicos e após esses tecidos serem transformados em roupas, continuam soltando micropartículas durante a sua lavagem. Novos estudos mostram que enormes quantidades de minúsculas fibras de tecidos sintéticos estão indo parar nos oceanos a partir das máquinas de lavar roupa domésticas.  Ao lavar roupas de malha, lã ou tecido plano feitas de poliéster, acrílico e nylon, pequenas microfibras são eliminadas durante o processo, independente se são fibras virgens ou recicladas. Por serem muito pequenas, os filtros das máquinas de lavar convencionais não conseguem retê-las.” – trecho do artigo do blog Tania Neiva.

O caminho é esse: tudo o que usamos, compramos, experimentamos e comemos tem uma história. A grande questão é ir atrás e fazer valer o que escolhemos. Você não precisa ser vegetariano ou vegano para enxergar tudo isso, mas as coisas acabam casando. Esse meu relato acolheu um resumão do que produzimos e como afetamos o planeta, mas há muito, muito mais. Há quem ache nada cômodo e chato descobrir essas coisas, mas cômodo mesmo é fazer sabendo o mal que produz. Ninguém vira super sustentável e consciente de um dia para o outro, é um caminho, assim como o meu foi (e é), o importante é dar o primeiro passo e eu juro, a partir desse tudo flui e parece mais claro. A

Para ler e entender mais sobre, algumas referências:

Saiba mais sobre a moda sustentável e como aplicá-la

Instituo Lixo Zero Brasil

A verdade por trás dos cosméticos

Pra onde vão as roupas que você jogou fora?

8 maneiras de viver com menos plástico, hoje

Operação carne fraca

14 documentários para repensar o consumo

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Sobre o Autor

Gaúcha, 18 anos, estudante de fotografia, louca por seriados e apaixonada pela arte. Quer saber mais sobre mim e o blog? Clique aqui

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Comentários

  1. Mellina disse:

    Sempre penso em parar de comer carne, diminui bastante, não me faz muita falta, mas ainda não consegui cortar de vez. Este artigo me fez refletir em várias coisas!

  2. Ane Carol disse:

    Gostei do teu post e de saber como o vegetarianismo mudou sua forma de ver o mundo. Acompanho alguns blogs e canais sobre o assunto E realmente não tem como não ver as coisas de outras forma. Estou começando a adicionar receitas vegetarianas/veganas no cardápio acho que as poucos vamos fazendo a diferença.

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